29.11.04

PARTE 2


Louise pára diante da porta que leva ao quintal da casa, não podendo deixar de sorrir levemente ao ouvir o policial embaraçar aquele médico petulante. Nessas horas é que me pergunto, por que não fiquei em Centerville...Refletiu pressionando os dentes no lábio inferior. Louise se perguntava por que tudo naquela cidade parecia estranho: as pessoas, os cachorros, a arquitetura, os casos, haja vista o que acabara de investigar. Quem poderia maquinar uma morte tão cafona? Ingerir soda cáustica como se fosse pó efervescente não era uma maneira tão criativa de morrer, era? Contudo, as preocupações que fossem direcionadas aos responsáveis pela autópsia. Antes de colocar a mão na maçaneta da porta, resolveu que aquele homem vestido de branco, que se dizia ser médico, deveria ouvir mais algumas palavras:
- Você acha que ele pode ter ingerido sozinho ou foi indução?
- Eu não sei. Isso é trabalho para um detetive – respondeu Conrad, fitando a moça friamente. – Aliás, não perguntei por que você está aqui.
- Por mera curiosidade.
- E que curiosidade!
- O que você está querendo dizer? Pelo o que sei, o responsável por este caso é o agente Flinks, que, era de se esperar que já estivesse aqui.
- Você vem de um ritmo diferente, não é mesmo? Em Centerville, não há tantos casos para resolver como aqui. Provavelmente, Flinks deve estar em outro local, analisando outras pistas, e você, poderia adiantar o trabalho.
A face de Louise ruborizou-se de tanta raiva. Que homenzinho insolente!
- Se interessa a você saber, eu já recolhi as provas necessárias. O que me preocupa agora é quando os responsáveis pela perícia tornarão as coisas mais fáceis.
Conrad calou-se enquanto movia lentamente o corpo do defunto para o lado.
- Temo que está não foi a única forma que o nosso amigo aqui faleceu – disse Conrad, olhando para os policiais que isolavam a área.
- Como assim? Está querendo dizer que esta não é a causa de sua morte? Que pode ser outra?
- Somente uma análise precisa poderia identificar.
- Sim. Já era de imaginar, uma vez que os médicos não são videntes.
O que era para soar tenebroso e ameaçador transformou-se em um leve sorriso nos lábios do receptor da mensagem. Conrad estava gostando do atrevimento e da inteligência da novata. Entreolharam-se rapidamente, um tentando descobrir o que o outro estava pensando. Louise checou o relógio no pulso e verificou que estava no horário que havia marcado com Carlos. Precisaria interromper aquele judô verbal com o homem de branco e seguir seu caminho. Não causaria uma boa impressão atrasar-se no primeiro dia de trabalho, e contando que o trânsito de Conectcity não era lá tão amistoso, o melhor a fazer era dar o fora o mais rápido possível. Dirigiu-se para a porta quando ouviu a voz do médico:
- Espero que tudo corra bem nas suas investigações.
- O mesmo para você – disse ela, amenizando a expressão severa do rosto. – Creio que ainda nos veremos.
- Aposto que sim.
Louise dirigiu-se para a porta de saída. Teve de contornar as faixas amarelas que circundavam a casa, e avistando seu carro a 300 m de onde estava, percebeu que aquele seria um longo e exaustivo dia.